Mercado chinês: como investir e no que ficar de olho

Não é de hoje que o mercado chinês vem ganhando visibilidade e destaque no cenário econômico mundial. Suas três bolsas de valores somadas superam US$ 10 trilhões em valor de mercado, e estão entre as 10 maiores do mundo.

Atualmente, a China é a segunda maior economia do mundo. No entanto, segundo estudos do Centro de Pesquisas Econômicas do Japão (JCER, em inglês), a previsão é de que o país ultrapasse os EUA entre 2028 e 2029.

Na contramão mundial, o país sustenta um bom desempenho econômico em plena pandemia. A China é a única nação do G20 cuja economia crescerá em 2020, segundo relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgado em setembro.

Neste artigo, veremos mais detalhes sobre as características, funcionamento e potencial do mercado chinês e, também, algumas formas de investir no país. Confira!

Principais números do mercado chinês

Em 2019, o PIB chinês foi de US$ 14,7 trilhões, e a expectativa do mercado é de aumento de 2% para 2020. O desempenho ficará longe do crescimento de 6,1% do ano passado, porém supera bastante a média mundial desse ano, que registrará queda em torno de 4% na atividade econômica.

Apesar da crise provocada pela COVID-19, os índices das bolsas Shangai Stock Exchange (SSE) e Shenzen Stock Exchange (SZSE) apresentaram crescimento de, respectivamente, 10% e 30% em 2020.

Incentivo à produção e consumo internos

Um dos principais motivos apontados por especialistas para a China ter mantido bom desempenho mesmo na crise da pandemia é o incentivo à produção e consumo interno. Ao fortalecer a economia local, o país reduz a sua dependência do cenário internacional.

Para isso, o governo injetou dinheiro na economia por meio de estímulos fiscais. De acordo com a agência Fitch, até outubro de 2020 foram US$ 561 bilhões em projetos para infraestrutura.

Maiores setores da economia chinesa

Segundo o instituto de pesquisas industriais Ibis World, o setor da construção civil foi o que mais faturou em 2020, com receita estimada de US$ 2,48 trilhões para este ano. Em segundo lugar fica o setor de desenvolvimento e gestão imobiliária, com faturamento estimado de US$ 1,95 trilhão para 2020. Por fim, o e-commerce fica na terceira posição, com perspectiva de receita de US$ 1,78 trilhão até o final do ano.

Maiores empresas da China

Entre as 10 primeiras colocadas do ranking das 2 mil maiores empresas divulgadas pela revista Forbes em 2020, cinco são chinesas:

Ranking
Empresa
Valor de mercado

Banco Industrial e Comercial da China (ICBC)
US$ 243,3 bilhões

China Construction Bank
US$ 203,8 bilhões

Banco Agrícola da China
US$ 147,2 bilhões

Ping An Insurance Group
 
US$ 187,2 bilhões
10°
Bank of China
US$ 112,8 bilhões

Estrutura do mercado de ações chinês

A China possui três bolsas de valores:

  • Shanghai Stock Exchange (SSE);
  • Shenzen Stock Exchange (SZSE);
  • Hong Kong Stock Exchange (SEHK).

Saiba mais sobre as bolsas chinesas neste artigo. 

O órgão do governo chinês que regula o mercado de ações é a China Securities Regulatory Commission (CSRC). Essa entidade funciona como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) brasileira.

Vale a pena investir no mercado chinês?

A seguir, veja algumas vantagens e desvantagens de investir na economia chinesa:

Vantagens

Mercado em crescimento

Como vimos, a China é hoje a segunda maior economia do mundo, e ainda são esperadas taxas de crescimento para os próximos anos. Além disso, a renda média da população também vem aumentando, o que fortalece o consumo interno e contribui para o contínuo desenvolvimento do país.

Potencial ainda inexplorado

Apesar dos números gigantes da economia, o mercado de ações chinês representa cerca de um quarto do norte-americano. Logo, existe um universo inexplorado de possibilidades de investimentos.

Além disso, em mercados de capitais mais jovens como o chinês, há boas chances também de encontrar ações mais baratas e com bom potencial de valorização.

Abertura ao exterior

Desde o início dos anos 80, o fluxo de capital internacional tem aumentado na economia chinesa. Isso inclui também o acesso de investidores estrangeiros às empresas do país, que tem sido facilitado nos últimos anos.

Desvantagens

A principal desvantagem do mercado chinês diz respeito ao intervencionismo do governo. Apesar de já ter promovido várias reformas nesse sentido, a economia da China ainda tem entraves regulatórios que deixam os investidores inseguros.

Ou seja, a economia chinesa oferece grande potencial de retorno aos investidores. No entanto, ela sempre estará submetida ao controle do governo, e isso é um ponto de risco apontado pelo mercado.

Como investir na China

A forma mais fácil de você investir no mercado chinês é adquirindo títulos aqui mesmo, na bolsa de valores do Brasil. Você pode fazer isso da seguinte forma:

Por meio de BDRs ou ETFs

Os BDRs (Brazilian Depositary Receipts) são títulos que representam ações de companhias estrangeiras, mas são comercializados no Brasil e em reais. Na B3 existem alguns BDRs de companhias chinesas.

Saiba mais sobre BDRs neste artigo.

Já os ETFs (Exchange Traded Fund), também chamados “fundos de índices”, são fundos que replicam determinado índice do mercado financeiro. Dessa forma, para investir no mercado chinês, você pode adquirir cotas de um ETF vinculado aos índices das bolsas chinesas.

Neste artigo, veja como investir em ETFs. 

Por meio de ações de empresas ligadas ao mercado chinês

Existem companhias brasileiras com ações na bolsa que, ou estão instaladas na China, ou têm grande parte da sua atividade ligada ao mercado chinês. É o caso da Vale, por exemplo.

Segundo informações da mineradora, atualmente a China representa quase 70% do seu faturamento. Além disso, recentemente a companhia fechou parceria para aumentar a sua capacidade de estocagem no porto chinês de Ningbo Zhousan, um dos maiores do mundo.

E então? Deu para conhecer um pouco mais o mercado chinês? Gostaria de saber mais sobre este ou sobre outro mercado internacional? Deixe aqui os seus comentários!


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