Como funciona o sistema bancário no Brasil?

É quase impossível não utilizarmos os bancos no nosso dia a dia, mas você já se perguntou como funciona todo o sistema bancário?

Pois fique com a gente no artigo para entender!

O que é sistema bancário?

Antes de falarmos sobre o funcionamento, precisamos saber o que é o sistema bancário. Dessa forma, fica mais fácil a compreensão.

Acredito que, você, ao ler “sistema bancário”, involuntariamente acaba pensando em grandes bancos: Itaú, Bradesco, Caixa Econômica Federal, Santander e Banco do Brasil.

Bom, isso faz sentido, mas vamos aprofundar.

Não somente eles, mas todos os outros bancos, fazem parte do sistema bancário, além do mais, são responsáveis pela oferta de crédito no país, e para ofertar o crédito, eles precisam, obviamente, cobrar juros.

Mas, como funciona o sistema bancário no Brasil?

É intuitivo pensar que, para o sistema bancário funcionar adequadamente, se faz necessário a fiscalização de instituições, bem como a execução de algumas medidas para que regras sejam cumpridas, e metas sejam atingidas, certo?

O órgão responsável por isso é o Bacen (Banco Central). O CMN (Conselho Monetário Nacional) vai ditar as regras, a fim de promover o crescimento econômico e social do país, e o Bacen irá adotar medidas para que haja o cumprimento delas.

Em suma, ele vai:

Nesse artigo estou falando somente do CMN e Banco Central, contudo nós temos uma estrutura muito grande de entidades e instituições, e se você quiser saber sobre toda a nossa estrutura, nós temos um artigo para te ajudar: O que é SFN (Sistema Financeiro Nacional)?

Bom, notamos, então, o papel de supervisor e executor do Bacen. Mas e quanto às instituições financeiras que são fiscalizadas por ele? Elas têm o papel de operador. É por meio delas que o crédito chega até o cliente, seja pessoa física ou jurídica. 

O crédito é muito importante para aquecer a economia, pois com ele, empresas investem mais em seu crescimento, gerando produtividade, gerando emprego, e assim por diante.

Mas, eu entendo que os juros desses empréstimos são bastante questionados. Acontece que não existe uma explicação puramente única e isolada dessa situação. De fato, temos um dos juros mais altos. Por quê?

Vamos entender primeiro o conceito de spread bancário.

Spread bancário

O spread bancário nada mais é que a diferença entre o valor que o banco paga para a pessoa que aplicou de alguma forma o dinheiro no banco, e o valor que ele cobra para emprestar esses recursos.

Então, vamos imaginar que você aplicou R$ 1 mil em um CDB (Certificado de Depósito Bancário), com taxa de 6% a.a. Por outro lado, eu fui até o banco interessada em um empréstimo pessoal no valor de R$ 1 mil, o qual me é oferecido com uma taxa de 20% a.a.

Veja bem, ele captou um dinheiro com custo de 6% a.a, e está me oferecendo por 20% a.a. Logo, essa diferença é chamada de spread bancário.

Mas, o que compõe esse spread? Várias coisas, como:

·  Risco de inadimplência: o banco embute isso no spread como margem de segurança, a fim de “compensar” uma eventual perda;

·  Impostos diretos: claro, os impostos também entram na conta, como IR (Imposto de Renda), IOF (Imposto sobre Operação Financeira), CSLL (Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido), etc;

·  Compulsório e encargos: aqui, trata-se de algumas exigências do banco central e obrigações;

·  Custos administrativos: salários dos colaboradores e outros custos que têm relação com a prestação dos serviços;

·  Margem de lucro: claro, né, ele não poderia ficar de fora. O banco, portanto, vai embutir também a sua margem de lucro.

Voltando com o questionamento que colocamos lá em cima: por que os juros são tão altos?

Como eu disse, não podemos fazer uma análise isolada dos fatos. Temos uma série de variáveis que podem ter influência nisso.

Talvez você pense, em um primeiro momento, que os bancos têm juros altíssimos porque eles simplesmente os estipulam por livre e espontânea vontade, para lucrarem excessivamente, mas não é bem assim.

Vem comigo!

Inadimplência

A inadimplência no Brasil é muito alta e, segundo relatório do Banco Central, ao fazer uma decomposição média do spread do ICC (Indicador do Custo do Crédito), de 2015 a 2017, 37,4% desse custo é representado só pela inadimplência, sendo ela o componente de maior participação no ICC.

O que isso quer dizer? Quer dizer que, do valor que o banco cobra ao fazer o empréstimo, 37,4% diz respeito a margem de segurança, caso o cliente não pague.

E, eu sei que talvez você pense: “Por que colocar essa margem tão alta, sendo que, caso o cliente não pague, é só fazer a cobrança?”. Não é simples assim.

De acordo com uma matéria do Correio Braziliense, a recuperação de crédito no Brasil é uma das mais demoradas no mundo, fora que o custo jurídico para recuperar é significativo, inviabilizando, portanto, esse processo.

Além do mais, há um dado assustador: a taxa de recuperação das inadimplências é de 13%, apenas.

Logo, podemos inferir que quanto maior a taxa de inadimplência e a não recuperação dela, maior a taxa de juros necessária para cobrir a perda com a operação.

Portanto, o bom pagador, infelizmente, acaba arcando com os reflexos desse cenário.

Carga tributária

Ainda de acordo com o estudo feito pelo Banco Central, 22,8% vão para impostos e FGC.

Concentração bancária

Sim, temos um oligopólio do sistema bancário. Segundo o Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central, em 2019, 83,7% do mercado de crédito ficou concentrado no Itaú, Banco do Brasil, Bradesco, Santander e Caixa Econômica Federal.

“Ah, então é só a gente ter mais bancos competindo”

Parece uma boa medida, mas reflita comigo: temos instabilidade jurídica, sistema burocrático, moroso, muitos impostos; quem quer encarar?

Se os juros altos cobrados dissessem respeito, em sua maioria, à lucro, estaríamos cheios de bancos estrangeiros querendo entrar.

Então é isso, Yubber, temos um sistema bancário complexo, mas tentei explorar ao máximo para que você pudesse entender e, mais que isso, refletir.

Conta para mim se você gostou do artigo, Yubber!


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