Front runner: o que é e como funciona?

Front runner é um tipo de prática criminosa realizada no mercado financeiro. Inclusive, ela é expressamente proibida pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) segundo ainstrução 08/79.

Quer saber como funciona o front runner? Então, continue a leitura e saiba mais sobre essa prática criminosa.

O que é front runner?

A expressão “front runner” ou “front running” remete a alguém que está correndo na frente dos outros. No mercado financeiro, essa prática ilegal ocorre quando algum profissional utiliza informações privilegiadas para obter lucro com determinada transação.

De forma simplificada, o front running acontece da seguinte forma: um profissional do mercado financeiro fica sabendo sobre uma importante operação que determinado cliente fará. Dessa forma, antes de cadastrar a ordem do cliente, ele registra uma ordem para si próprio, pois sabe que essa ordem terá grande impacto sobre os preços.

Quando executa a ordem do cliente, de fato ela influencia os preços. Logo depois dos preços alterados, o operador se desfaz da sua posição e lucra com a operação.

Exemplos de front runner

Apesar de ser uma prática ilícita e que constitui crime na esfera penal, há alguns exemplos famosos de front running no mercado.

Um dos mais conhecidos aconteceu com o HSBC em 2011. Naquele ano, o banco foi contratado por uma empresa escocesa de óleo e gás para converter US$ 3,5 bilhões em libras esterlinas.

Os operadores de câmbio do HSBC compraram libras com o dinheiro do próprio banco. Isso porque sabiam que, a qualquer momento, a operação de conversão poderia acontecer. Dessa forma, na data em que a ordem foi executada, a libra esterlina se valorizou e o HSBC lucrou muito com a operação.

Com essa operação, o HSBC lucrou cerca de US$ 8 milhões. No entanto, seis anos depois, foi multado em US$ 175 milhões pela prática do front runner.

Front runner e insider trading

Insider trading também é uma fraude, e funciona basicamente como o front runner. A diferença é que o insider trading parte da empresa, e não do mercado financeiro. Ou seja, quem utiliza a informação privilegiada para obter lucro é alguém da própria empresa.

Um exemplo bem recente nos ajuda a entender melhor o insider trading. Em abril de 2021, a Finra (Autoridade Regulatória da Indústria Financeira dos EUA) baniu um ex-analista de pesquisa Goldman Sachs. Segundo informações do órgão, o profissional teria comprado ações depois de saber que um colega havia atualizado a carteira recomendada do banco. De posse desse relatório, o analista adquiriu ações com recomendação de compra pelo banco.

O problema é que esse relatório ainda não havia sido divulgado ao público. Logo, o analista não poderia ter utilizado as informações em proveito próprio.

Outro caso mais antigo, e também mais conhecido do público, ocorreu em 2017. Naquele ano, os irmãos Wesley e Joesley Batista foram convocados para uma delação premiada no caso do mensalão.

Ambos sabiam que, após a delação, as ações da JBS cairiam, e isso ocasionaria a alta do dólar. Dessa forma, antes do depoimento, ambos venderam ações da companhia e compraram dólares, o que também caracteriza prática de insider trading.

E então? Deu para entender como funciona o front runner? Mande seus comentários se tiver dúvidas ou se desejar saber mais a respeito de assuntos como esse!

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