Real digital: conheça a moeda digital do Banco Central

Em maio deste ano, o Banco Central (BC) divulgou as diretrizes gerais do real digital, a moeda virtual brasileira. Ainda levará algum tempo para a moeda digital começar a circular no Brasil, mas a notícia já era esperada desde setembro do ano passado, quando o próprio BC fez o anúncio.

Mas afinal, o que isso significa? O real digital será parecido com o bitcoin? E como ficarão as transações financeiras? Será que ele irá substituir o dinheiro físico?   

Para ajudar a esclarecer essas dúvidas, preparamos esse material com as principais informações sobre o real digital. Continue a leitura e confira a seguir?

O que é o real digital?

De forma simplificada, o real digital é a versão virtual da nossa moeda. Em alguns outros países já existem moedas virtuais, e elas são conhecidas pela sigla CBDC (central bank digital currency, ou moeda digital de banco central).

Na prática, as moedas digitais funcionam da mesma forma que o dinheiro físico. Ou seja, elas servem para realizar compras, pagamentos, transferências, e até para guardar.

Então o real digital será uma criptomoeda do Banco Central?

Atenção: apesar de moedas digitais e criptomoedas pertencerem ao ambiente digital, elas NÃO são a mesma coisa, e a gente vai explicar por quê.

A primeira grande diferença entre elas está na regulamentação. Isso porque uma moeda digital é emitida por um banco central, que é uma das autoridades reguladoras do sistema financeiro do país. Logo, a emissão dessas moedas é centralizada, e o seu funcionamento está sujeito às normas da instituição que a emite, no caso brasileiro, o BC.

Por sua vez, as criptomoedas são emitidas e distribuídas de forma descentralizada. No caso do bitcoin, ethereum e diversas outras, a tecnologia utilizada para a sua emissão é o blockchain. Essa tecnologia funciona como se fosse um livro contábil, que registra todas as transações dos usuários de criptomoedas. Dessa forma, quem regula o sistema não é uma instituição, mas sim toda a rede de usuários.

Neste artigo, entenda como funciona a tecnologia blockchain.

Outra diferença é que as criptomoedas são consideradas ativos financeiros. Por sua vez, as CBDCs servem basicamente para pagamentos e transferências, podendo também ser guardadas. Nesse sentido, elas acabam tendo mais circulação do que as criptomoedas, pois poucos estabelecimentos aceitam bitcoins ou outras criptos como forma de pagamento.

E como funcionará o real digital?

As diretrizes definidas pelo BC para o real digital falam sobre funcionamento, garantias legais e aspectos tecnológicos.

Quanto ao funcionamento, algumas premissas são o uso no varejo, a integração aos sistemas de pagamentos atuais (como Pix) e a utilização dos participantes do sistema de pagamentos no processo. Além disso, o BC dará foco em tecnologia para fomentar inovações que tragam mais eficiência para o sistema financeiro do país.

Sobre as garantias legais, serão seguidas as regras de sigilo bancário e da LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados). Outros aspectos legais dizem respeito ao atendimento das normas de compliance internacional no que se refere à lavagem de dinheiro e a outras recomendações internacionais.

Por fim, quando à tecnologia, seu funcionamento prevê integração com pagamentos internacionais e a adoção de padrões de segurança cibernética já utilizados no mercado financeiro.

O dinheiro físico vai acabar quando o real digital entrar em circulação?

A intenção do governo é fazer com que o real digital seja um complemento à moeda em espécie. Segundo o BC, ele funcionará como uma extensão da moeda física, que será guardada nos bancos e instituições de pagamento.

O Brasil ainda é um país com baixa bancarização, ou seja, grande parte da população não tem acesso a serviços financeiros. Com a expansão das fintechs e dos bancos digitais, isso tem melhorado bastante nos últimos anos, mas ainda não há como eliminar o dinheiro físico. Por isso, não é essa a ideia do Banco Central, ao menos, em um futuro próximo.

Por outro lado, a expectativa do Banco Central é de que a criação do real digital abra nossas possibilidades em relação à economia. Nesse sentido, um exemplo seria o pagamento automático em estabelecimentos comerciais sem precisar passar por um caixa. Isso já acontece em alguns outros países, e a moeda digital poderia incentivar essa prática.

Outro ponto levantado pelo BC é a possibilidade de que as transferências para o exterior ou os pagamentos de produtos e serviços realizados fora do país fiquem mais baratos. Isso porque a moeda digital facilita e desonera essas transações.

Qual será o valor do real digital?

Ainda não se sabe qual será a cotação da moeda digital brasileira frente a outras moedas. Segundo Fábio Araújo, coordenador dos trabalhos sobre o real digital no BC, os bancos centrais tentarão fazer com que as cotações sejam equivalentes.

No entanto, por conta do que ele chama de “forças de mercado”, pode haver algum descolamento de valores entre o real físico e o virtual. O coordenador afirma ainda que a cotação permanece em discussão, e o tema é um pouco controverso.

Deu para entender o que é e como funcionará a moeda digital do Brasil? O que mais você gostaria de saber sobre o real digital, ou sobre outros meios de pagamentos virtuais? Mande suas dúvidas ou comentários!


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