Escalabilidade do blockchain: por que isso é importante?

Além de inovações para o sistema financeiro, os criptoativos também trouxeram um glossário de termos peculiares a esse universo. Um deles é a escalabilidade, palavra pouco utilizada por quem não trabalha com tecnologia, mas muito importante para entender o funcionamento das criptomoedas.

Quem já tem alguma familiaridade com criptoativos, certamente já ouviu falar nos problemas de escalabilidade da pioneira bitcoin. Com a crescente procura pelos NFTs (tokens não-fungíveis), essa dificuldade passou a afetar também a rede Ethereum, que concentra a maioria das transações desses tokens.

Para saber por que a escalabilidade é tão importante no mundo dos criptoativos, continue a leitura a seguir!

O que é escalabilidade?

Quando falamos em escalabilidade, estamos nos referindo à quantidade de pessoas que uma tecnologia consegue atingir sem prejuízo da qualidade do serviço oferecido. O melhor exemplo que podemos utilizar para entender como isso funciona é comparar a internet de hoje com a que tínhamos nos anos 90.

Segundo a pesquisa “TIC Domicílios 2020”, realizada pelo Cetic.br (Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação), 81% dos brasileiros possuem acesso à internet. Atualmente, milhões de pessoas acessam a rede simultaneamente (algumas na mesma casa) sem que a navegação seja interrompida ou perca a qualidade. Ou ainda, sem que seja preciso pagar mais caro por um bom serviço.

No entanto, isso não era uma realidade no final dos anos 90, logo que a internet passou a ser utilizada de forma massiva no Brasil. Quem é mais velho, certamente lembra das dificuldades da linha discada. Bastava muitos usuários se conectarem na rede ao mesmo tempo que, invariavelmente, ou a linha caia, ou se tornava tão lenta a ponto de congelar a navegação. Havia ainda horários nos quais a internet era mais cara, o que fazia com que muitos utilizassem o serviço de madrugada, para evitar o alto fluxo na rede.

Ou seja, a internet dos primórdios tinha sérios problemas de escalabilidade, que foram solucionados com o passar do tempo. Caso contrário, seria inviável a sua utilização de forma eficiente e abrangente nos dias de hoje.

E qual a relação da escalabilidade com as criptomoedas?

A maioria das criptomoedas utiliza a tecnologia blockchain para as suas transações. Nesse ambiente, fica registrado tudo o que diz respeito à movimentação desses ativos digitais, como valores, datas, horários, local do registro, e várias outras informações.

No link abaixo, saiba mais sobre o que é e como funciona a tecnologia blockchain.

Cada blockchain possui as suas características próprias, e a escalabilidade é uma delas. Voltando ao exemplo da plataforma Ethereum, trata-se de uma tecnologia considerada segura e com boa capacidade de processamento. O problema está justamente nas altas taxas das transações, consequência do aumento de usuários e da quantidade de aplicações disponíveis na plataforma Ethereum (como smart contracts e NFTs) ao longo dos anos.

A cobrança dessas taxas serve para remunerar os mineradores que encontram as criptomoedas na rede. No entanto, quando as transações realizadas na plataforma crescem mais do que o número no sistema, isso causa um aumento nas taxas cobradas por essas transações. Dessa forma, a escalabilidade do blockchain é posta à prova.

Exemplos

O bitcoin, principal criptoativo do mercado, possui somente cerca de sete transações por segundo (TPS). Para se ter uma ideia do que isso representa, a VisaNet consegue processar mais de 65 mil TPS, o que mostra que o BTC deixa muito a desejar quando o assunto é a sua utilização como meio de pagamento.

No caso da rede Ethereum, um dos primeiros problemas de escalabilidade apareceu quando o jogo CryptoKitties chegou à internet no final de 2017. Apesar de pouco sofisticada, a aplicação gerou problemas na rede por causa da quantidade de usuários que jogavam ao mesmo tempo. Na ocasião, a taxa média da rede, que era de US$ 0,30 chegou a cerca de US$ 8,00. Essas foram as taxas médias, o que significa que determinadas transações chegaram a superar os US$ 8,00.

E como resolver o problema da escalabilidade do blockchain?

Da mesma forma que ocorreu com a evolução da internet (que passou de linha discada para o formato que conhecemos hoje), várias soluções para a escalabilidade do blockchain têm sido desenvolvidas ao longo dos anos.

No caso do bitcoin, o SegWit (abreviatura que significa “testemunha segregada”) foi ativado em 2017 para tentar resolver a escalabilidade da rede. Basicamente, o objetivo do protocolo era aprimorar o bloco, para fazer sobrar mais espaço dentro de cada bloco de transação do BTC.

Seja no BTC ou em outras criptomoedas, o aprimoramento do protocolo blockchain é o primeiro recurso utilizado pelos desenvolvedores para melhorar a escalabilidade da rede. Porém, para que esse protocolo seja melhorado, é preciso reduzir o número de participantes que validam as transações, logicamente sem que a confiança da rede seja comprometida.

No caso do bitcoin, o Taproot, que será implementado em novembro de 2021,é uma tecnologia que tem como um dos objetivos melhorar a escalabilidade da rede.

Em relação à rede Ethereum, existe uma grande atualização a caminho, chamada Ethereum 2.0. Essa atualização será realizada em etapas, e envolve a troca do algoritmo de consenso proof of work (PoW) para proof of stake (PoS). Um dos objetivos da nova rede é a melhora da escalabilidade.

As soluções que vimos acima ocorrem na primeira camada do blockchain. Mas há também soluções de segunda camada, nas quais se utiliza o blockchain raiz como âncora e se direcionam as transações para fora da cadeia. Essas transações mantêm a criptografia necessária para a sua segurança, porém, pelo fato de serem concluídas fora do blockchain, a sua velocidade acaba sendo maior, e o seu custo é reduzido.

A Polkadot (DOT) é um exemplo de criptomoeda que tem como um dos objetivos a escalabilidade, por meio do sharding (fragmentação de banco de dados).

Se você tem dúvidas, ou se quiser saber mais sobre esse ou outro assunto relacionado a criptoativos, deixe abaixo os seus comentários. E clique aqui para acessar a nossa sessão especial sobre o tema!

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