Bull Trap e Bear Trap: saiba o que são e como evitar essas armadilhas

No mercado financeiro, as expressões bull trap e bear trap são utilizadas para identificar um equívoco nas tendências previstas por analistas e investidores.

Literalmente, trap significa “armadilha” em inglês. No mundo dos investimentos, essas armadilhas podem indicar dois extremos, os quais veremos neste artigo. Confira a seguir!

Bull trap e bear trap: o que isso significa?

Para começar, é importante saber o motivo da utilização dos termos bull (touro) e bear (urso) no mercado financeiro.

Basicamente, as duas palavras estão associadas à forma como cada um dos animais trata as suas vítimas. O touro ataca a sua presa com os chifres, jogando-a para cima. Já o urso golpeia a vítima em direção ao chão, para derrubá-la.

Por isso, bull remete à alta, enquanto bear, à queda, conforme veremos a seguir.

Bull trap

Os períodos de extremo otimismo no mercado financeiro são chamados de bull market (basta pensar na estátua do touro, ícone de Wall Street).

No bull market, as ações de forma geral, ou de um determinado setor, valorizam-se de maneira fora do normal. Na prática, isso ocorre quando a alta dos ativos financeiros é superior a 20%. Esse cenário favorável acaba atraindo bem mais investidores do que em momentos normais do mercado.

No entanto, em determinados momentos, o bull market pode, literalmente, virar uma “armadilha para touros”, ou seja, uma bull trap. Isso acontece quando, depois de uma baixa expressiva, o mercado experimenta uma recuperação igualmente expressiva.

A armadilha acontece justamente quando a recuperação do mercado não se sustenta, ou seja, quando a tendência de alta esperada pelos investidores não é confirmada. Basicamente, é como se a alta fosse um alarme falso, pois, pouco tempo depois, o mercado já retorna à baixa.

Como funciona a bull trap

Antes de mais nada, é importante saber que, para que se possa identificar tanto uma bull trap quanto uma bear trap, é preciso ter alguma noção de análise técnica. Isso porque é necessário entender os topos e fundos de gráficos, para que se possa identificar os níveis de resistência.

Quando ocorre uma bull trap, muitas vezes a recuperação do preço do ativo rompe o nível de resistência do topo de um gráfico. Isso significa que a alta do ativo em questão superou sua série histórica, elevando-o a um patamar de preço nunca visto antes pelo mercado.

É justamente nesse momento que está o maior risco. Quando o ativo supera a sua alta histórica, a euforia toma conta dos investidores, que acabam por comprar a ação. No caso do bull trap, o que se vê imediatamente depois desse pico é a rápida e intensa desvalorização do ativo.

Bear trap

Em oposição ao bull market, temos o bear market. Ou seja, é quando o mercado como um todo está pessimista em relação às ações. Esse pessimismo pode ser voltado a ativos de um segmento específico ou ao mercado acionário de forma geral.

Assim como no bull market, a variação percentual que define a ocorrência do bear market é de 20%, só que para baixo. Quando os ativos atingem essa queda, há uma euforia por parte dos investidores, alguns para vendê-los rapidamente e minimizarem os prejuízos, outros, para comprar aproveitando a baixa. Em outras palavras, o “efeito-manada” toma conta do mercado.

Como funciona a bear trap

Como vimos, aqui também é necessário algum conhecimento sobre análise técnica para identificar a reversão temporária de tendência que caracteriza uma bear trap.

Isso ocorre quando uma ação em alta entra em um movimento de baixa e rompe o nível de suporte. Temendo uma desvalorização ainda maior, muitos investidores acabam se desfazendo do ativo nesse momento. Porém, no caso da bear trap, o ativo volta a subir pouco tempo depois, retomando os antigos patamares de valorização.

Ou seja, quem vendeu abaixo do suporte caiu na bear trap, pois a tendência de baixa foi revertida posteriormente.

Além de venderem os ativos, muitos investidores também acabam abrindo posições vendidas na bear trap. Ou seja, apostam que a queda continuará, e tentam lucrar com isso operando em short (ou vendidos) no ativo. Isso também gera prejuízo, pois, para abrir uma posição em short, é preciso utilizar a alavancagem.

Para entender como isso funciona, recomendamos a leitura do artigo abaixo:

Dá para evitar a bull trap e a bear trap?

Sabemos que não existe previsibilidade no mercado de capitais. Por isso, é impossível garantir que se possa evitar totalmente tanto a bull trap quanto a bear trap.

No entanto, a análise técnica oferece boas ferramentas para que se possa avaliar o comportamento dos preços e projetar tendências. Como vimos, uma das formas de analisar possíveis armadilhas é observar os níveis de suporte e resistência dos gráficos. Se, depois de rompidos esses níveis, os preços mantiverem a tendência por um bom tempo, pode-se concluir que não ocorreu nenhuma armadilha.

Além dos níveis de suporte e resistência, há indicadores técnicos que também podem contribuir para essa análise. O tema é bastante técnico, dê uma olhada no link abaixo se você se interessa pelo assunto.

Outro mecanismo que pode ser utilizado para minimizar prejuízos com armadilhas é o stop-loss, que limita as perdas dos investidores.

Enfim, não há fórmula mágica para antever esses movimentos. O ideal é acompanhar o histórico das ações e dos índices de forma geral. Quando se mantém informado, é menos provável que o investidor caia nas armadilhas do mercado.

Se você tiver alguma dúvida, ou quiser saber mais a respeito, deixe abaixo os seus comentários!


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