Armadilha de liquidez: como esse fenômeno afeta a economia?

O conceito de armadilha de liquidez é atribuído a Keynes, e demonstra uma situação de mercado na qual a taxa de juros está em 0% ou muito próxima disso.

Quando isso ocorre, passa a não ser interessante para o investidor deixar o seu dinheiro aplicado. Dessa forma, os recursos acabam migrando do mercado financeiro para diversas formas de consumo.

Vejamos agora como funciona esse fenômeno, e o que ele pode ocasionar na economia. Acompanhe a leitura!

Armadilha de liquidez e a política monetária

Para entendermos melhor a armadilha de liquidez, precisamos primeiro falar sobre política monetária.

A política monetária é o conjunto de ações adotadas pelo Banco Central para regular a circulação de moeda no mercado. Em última instância, a política monetária visa o controle da inflação que, quando alta demais, é prejudicial para a economia.

Uma das formas de controle da inflação é a taxa de juros. Normalmente, quando a inflação sobe, o governo aumenta a taxa de juros para tentar frear o consumo.

Por outro lado, em momentos de crise, para estimular a economia a taxa de juros é reduzida. Isso acaba baixando os preços e anima as pessoas a irem às compras.

Entendida a política monetária, vejamos agora o que, exatamente, causa a armadilha de liquidez.

Quando acontece a armadilha de liquidez

Segundo Keynes, as pessoas têm uma tendência a preferir a liquidez. Isso significa que, se um investimento dá pouco retorno, a maioria opta por ter o dinheiro na mão.

E é exatamente isso o que acontece quando a taxa de juros está demasiadamente baixa. Nesse caso, as aplicações deixam de ser interessantes e o investidor retém os recursos.

A armadilha de liquidez ocorre justamente nesse ponto. Nem todo o dinheiro que não é investido, necessariamente, vai para o consumo. Chega um ponto em que não adianta mais baixar os juros para incentivar o consumo, e isso normalmente acontece em crises econômicas.

Quando uma economia está em crise, por mais baixos que estejam os preços, o consumidor, ou não terá condições, ou terá receio de gastar o seu dinheiro. Ou ainda, poderá ficar esperando pelo aumento das taxas para decidir se volta a investir.

Já existiu algum caso real de armadilha de liquidez?

É importante destacarmos que o fenômeno não é consenso entre os economistas. Um dos argumentos é que as pessoas não guardam dinheiro infinitamente, e que existe um mínimo nível de consumo necessário para que possam sobreviver.

Logo, mesmo se o investidor quisesse, nunca poderia deixar todo o seu dinheiro guardado em casa.

Até hoje, quem mais se aproximou dessa situação foi o Japão. Nos anos 90, os juros do país saíram de mais de 6% para quase 0%.

Na ocasião, até foi criado o termo “japanificação”, ainda utilizado para se referir ao desaquecimento da economia. Ainda hoje, as taxas de juros por lá são negativas, e nem isso parece dar ânimo à economia.

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