Ações que se beneficiam com a alta da Selic: conheça alguns setores

Nos últimos tempos, as sucessivas altas da Selic fizeram a renda fixa voltar aos holofotes dos investidores. No entanto, essa não é a única categoria de investimentos que pode se beneficiar do aumento da taxa de juros.

É claro que investir na bolsa perde em parte a atratividade em um cenário de alta da Selic. Mas existem ações que podem tirar vantagens dessa alta, e isso é o que veremos a seguir. Portanto, se você tem dúvidas sobre em que setores investir em tempos de juros mais altos, continue a leitura e veja o que especialistas dizem a respeito!

Quais ações se beneficiam com a alta da Selic?

Antes de mais nada, é importante contextualizar a alta dos juros no cenário de inflação também em alta que vivemos hoje.

Inflação

Teoricamente, a Selic está subindo para conter a inflação. De acordo com o Relatório Focus divulgado no início de dezembro, o IPCA (índice de inflação oficial do Brasil), romperá pelo segundo ano consecutivo a meta definida pelo Banco Central. Em 7 de dezembro (data desse artigo), a projeção da inflação acumulada para o final de 2021 era de 10,18%. Isso supera em mais de cinco pontos percentuais o objetivo inflacionário do ano, que era de 5,25%. Já para 2022, o mesmo relatório apontou expectativa de inflação de 5,02%.

Ou seja, a inflação continuará presente ainda por um bom tempo em nossas vidas, e ela tem estreita relação com a alta dos juros. Por isso, algumas ações acabam se beneficiando, simultaneamente, da alta da Selic e da inflação.

Leia também:Inflação e taxa Selic: qual é a relação na economia?

Setores beneficiados com a alta da Selic e da inflação

Normalmente, o primeiro setor beneficiado do qual lembramos nessa situação é o financeiro, como bancos e seguradoras. No caso dos bancos, o dinheiro mais caro faz os spreads também aumentarem, o que impaca diretamente a margem bruta dessas instituições.

Já as seguradoras aumentam os rendimentos das suas aplicações, pois a maior parte de seus recursos estão investidos em renda fixa atrelada ao CDI. Além disso, essas empresas também reajustam os seus contratos de acordo com a inflação.

Leia também:CDI, DI e Selic: o que são e quais as diferenças?

Em matéria do Estadão de outubro de 2021, Rodrigo Friedrich, head de renda variável da Renova Invest, citou como exemplo as companhias do setor alimentício, como Grupo Mateus (GMAT3), Assaí (ASAI3) e Carrefour (CRFB3).

Segundo o gestor, “quando sobe a inflação, as empresas desse segmento sobem o preço do produto final. Dessa forma, deixam de ser prejudicadas com uma alta de juros”.

Outras empresas que, para Friedrich, podem se beneficiar da alta dos preços são concessionárias em rodovias, como EcoRodovias (ECOR3) ou CCR (CCRO3), que também conseguem o repasse da inflação nos seus preços.

Na mesma matéria, André Rolha, líder de renda fixa e câmbio da Venice Investimentos, destaca também outras empresas que possuem contratos indexados a índices de inflação, como setor elétrico, saneamento, estradas com pedágio e exportadoras. É o caso da Vale (VALE3), Taesa (TAEE11), WEG (WEGE3), SLC Agrícola (SLCE3) e PetroRio (PRIO3), por exemplo.

Setores que ficam em desvantagem com a alta dos juros e inflação.

Um dos setores que mais sofrem em períodos de alta da Selic e dos preços é o da construção civil. Isso porque juros mais altos aumentam o custo financeiro no mercado imobiliário, e afetam a demanda por imóveis, ao menos no curto e médio prazo.

Além disso, há também um aumento dos insumos da construção, o que encarece fortemente a atividade desse segmento.

Outros pontos a considerar na escolha das ações

Embora a alta da Selic e da inflação possa favorecer mais alguns setores em detrimento de outros, esses não são os únicos pontos a considerar na hora de escolher as ações. Para uma análise completa, o investidor precisa observar a saúde financeira, o histórico da empresa, a governança, entre vários outros aspectos contemplados pela análise fundamentalista. Empresas com bons fundamentos conseguem passar melhor por turbulências na economia, mesmo que seus setores enfrentem dificuldades.

Leia também:7 indicadores de ações que você precisa conhecer

Em outubro de 2021, Sara Delfim, sócia-fundadora da Dahlia Capital, participou da Money Week promovida pela EQI Investimentos. Sobre a inflação, a gestora declarou que é preciso “dar tempo ao tempo”.

“”Se lembrarmos do que aconteceu de maio de 2018 para cá, tivemos o dólar a R$ 3,50, greve dos caminhoneiros, eleições turbulentas, pandemia, estímulos monetários que culminaram com a inflação, entre vários outros eventos. Tudo isso nos faz pensar em onde efetivamente estamos agora. Por outro lado, vimos Alpargatas e Weg multiplicarem por quatro o seu valor na bolsa; Raia (farmácia) multiplicou por dois, entre outros casos de sucesso. tudo isso nos leva a concluir que o importante é dar tempo ao tempo, pois se você tem boas empresas, as coisas acabam se normalizando”, diz a gestora.

Sara ainda acrescenta que as maiores e melhores empresas do Brasil estão na bolsa. Para ela, mesmo em um cenário de PIB mais tímido, juros e inflação em alta e incerteza política, isso não é necessariamente ruim para a bolsa.

“Nesses momentos, há menos competidores, pois o investidor estrangeiro não abrirá uma empresa aqui. Por outro lado, o pequeno investidor também não consegue se expandir e, na pior das hipóteses, até retrai a sua atividade, pois tem menos recursos. Dessa forma, as grandes empresas nacionais acabam roubando share das demais. Por isso, somos cautelosamente otimistas com a bolsa nesses momentos, apostando na força dos grandes players nacionais”, conclui.

Para saber mais sobre os setores da bolsa, clique nos links abaixo!

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