Moedas fiduciárias: o que são e como funcionam?

Entende-se por moeda o dinheiro emitido por autoridades públicas e aceito como meio de pagamento pelas pessoas de uma determinada região. Mas você já se perguntou de onde vem o valor da moeda? No caso das moedas fiduciárias, o seu valor é determinado pela autoridade que a emite, pois elas não têm nenhum lastro de garantia.

Que tal entender melhor tudo isso? Então, siga a leitura e saiba o que são e como funcionam as moedas fiduciárias.

O que são moedas fiduciárias?

Uma moeda fiduciária (também chamada de fiat currency) é aquela que não possui lastro em metal, como ouro ou prata, ou em qualquer outro ativo. Por isso, dizemos que ela não tem valor intrínseco. O seu único valor vem do fato de serem aceitas com unanimidade pelas pessoas, pelo governo e pela economia como um todo.

Isso significa que todos esses agentes atribuem às moedas fiduciárias algum valor, mesmo que elas não tenham nenhum tipo de garantia. Nesse caso, a sua credibilidade vem principalmente da confiança na entidade que a emitiu.

Desse modo, podemos considerar moedas fiduciárias todo o título que circula na economia e serve como meio de pagamento. Além das cédulas de papel e moedas metálicas, cheques, títulos de crédito, notas promissórias e saldo na conta corrente, por exemplo, podem ser considerados moedas fiduciárias.

Como surgiu a moeda fiduciária na economia?

Não há consenso sobre quando e onde surgiram as primeiras moedas fiduciárias. Há indícios de que, na antiguidade, a China já utilizava esses títulos.

No início da década de 1930, o governo norte-americano acabou com a obrigatoriedade de trocar papel moeda por ouro. No entanto, foi somente em 1972 que o país abandonou totalmente o lastro no metal e adotou o sistema de moeda fiduciária. A partir daí, diversas nações fizeram o mesmo, e o sistema fiduciário tornou- se o mais comum nas economias mundiais.

O padrão ouro

Antes da moeda fiduciária, existia o padrão ouro, no qual o metal lastreava o dinheiro no mundo. Isso fazia com que as moedas tivessem valor intrínseco, afinal os bancos centrais só podiam emiti-las se houvesse ouro o suficiente para garantir cada título. Cada vez que um cliente chegasse no banco e quisesse trocar as suas moedas por ouro, a instituição tinha obrigação de fazer isso.

Todo o ouro que garantia as moedas era guardado pelos bancos. Dessa forma, se fosse emitido papel-moeda acima do volume dessas reservas, o dinheiro se desvalorizaria. Por outro lado, se as reservas de ouro cresciam e não era emitido dinheiro, a moeda aumentaria de valor.

Nessa época, a confiança das pessoas vinha justamente do fato de que o dinheiro era garantido pelo ouro. Ou seja, havia um bem material que lastreava o papel que circulava na economia.

Quando passou a ser adotada a moeda fiduciária, acabou a obrigatoriedade desse lastro. Ou seja, uma nota de cem dólares passou a ser, basicamente, um pedaço de papel emitido pelo banco central norte-americano.

E como determinar o valor das moedas fiduciárias?

Basicamente, o valor da moeda fiduciária é determinado por três principais pilares, que são a autoridade, a utilização e a confiança. A seguir, veja como cada um deles funciona.

Autoridade

O principal aspecto determinante do valor dessas moedas é a autoridade de quem as emite. Isso significa que, para que tenha valor, a moeda fiduciária precisa ser emitida por uma entidade legalmente autorizada a fazer isso.

Essa entidade é o banco central dos países, que é legitimado pelo governo federal. É o governo de cada país que determina que a sua moeda fiduciária seja aceita por todos dentro do país.

Utilização

Uma vez imposta como meio de pagamento obrigatório, surge o próximo fator que determina o valor da moeda fiduciária: a sua utilização.

Quanto mais pessoas utilizarem a moeda, mais alto será o seu valor. É só pensarmos no caso das economias mais ricas. Por que o dólar é a moeda que mais circula no mundo? Certamente por ser a moeda fiduciária da nação mais poderosa economicamente.

Da mesma forma, as moedas de economias mais frágeis acabam circulando menos no mercado financeiro mundial, pois bem menos pessoas as utilizam.

Confiança

Por fim, temos o terceiro pilar que define o valor dessas moedas, que é a confiança na autoridade monetária que a emite. Quanto mais pessoas confiarem em uma determinada moeda, mais ela circulará e mais forte ela poderá se tornar.

Para que isso aconteça, os governos precisam trabalhar no sentido de manter a economia saudável. Uma das formas se se fazer isso é trabalhando em políticas monetárias que controlem a inflação e garantam um bom ambiente econômico.

Ou seja, quanto mais consistente for a política monetária executada pelo Banco Central, mais sólidos serão os fundamentos da economia, e mais pessoas confiarão e passarão a utilizar a moeda do país. Por outro lado, uma crise de confiança no país faz com que se perca o interesse pela moeda. Quando a procura pela moeda reduz, o seu valor cai, e essa desvalorização do dinheiro isso agrava os problemas da economia local.

Um dos principais instrumentos de política monetária que o governo possui é a taxa de juros. Neste artigo, entenda a relação entre taxa de juros, inflação e economia.

Vantagens e desvantagens das moedas fiduciárias

Uma das vantagens dessas moedas é que, pelo fato de não precisarem de lastro, não sofrem com a escassez. Além disso, elas são mais baratas, pois o governo não precisa manter estruturas para armazenar o ouro. Por fim, a maioria dos países as utilizam, o que facilita o comércio internacional.

Por outro lado, o governo tem total liberdade para emiti-las quando quiser, pois não precisa do lastro do ouro. A emissão em excesso de papel-moeda pode tirar a inflação do controle, o que é muito prejudicial para a economia.

Muito tem se falado na volta da inflação, e nos perigos que isso representa. Para saber mais sobre o assunto, dê uma olhada neste artigo!

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