Taxa livre de risco: o que é e como funciona?

A taxa livre de risco é o índice que mede o mínimo de retorno de uma economia. Normalmente, esse valor é representado pela taxa básica de juros. 

No caso do Brasil, isso pode significar a Selic - “Sistema Especial de Liquidação e de Custódia”. Por ser um valor mínimo de retorno, o valor é considerado como livre de risco.

Superficialmente, podemos entender a Selic como o principal fundamento do cálculo da taxa livre de risco. 

Ainda assim, devemos levar em consideração outros fatores - uma vez que, no mercado financeiro, os cenários de riscos são sempre comparativos e levam em consideração vários parâmetros integrados.

Exemplificando a taxa livre de riscos com a Selic

A taxa básica de juros é usada para mensurar a referência dos juros pagos pelas transações financeiras como empréstimos, financiamentos e investimentos. Ou seja, quando falamos em taxa livre de risco, significa que estamos lidando com o nível mais baixo de rentabilidade de um investimento e ele pode ser a Selic.

Ainda assim, é importante destacarmos que, no mercado financeiro, não existe nenhum ativo que esteja livre de algum risco. A diferença é que uns serão mais arriscados e outros menos. No caso do Brasil, é possível afirmar que a aplicação mais segura possível é o Tesouro Selic.

Esse investimento é emitido pelo órgão economicamente mais estável do país, o Tesouro Nacional. Essa instituição é considerada a última a entrar em colapso num eventual problema financeiro nacional - depois até mesmo das instituições bancárias.

Por conta disso, todos os investimentos emitidos pelo Tesouro são considerados de baixo risco. No caso do Tesouro Selic, como o próprio nome diz, os rendimentos das aplicações acompanham a taxa básica de juros do momento - ou seja, 100% da Selic.

A partir daí podemos entender a taxa livre de risco por dois contextos diferentes. Num primeiro exemplo, pensemos em julho de 2016, quando a Selic era de 14,25% ao ano. Em outra hipótese, o cenário atual de janeiro de 2021, com essa taxa básica na sua mínima histórica de 2%.

Quando falamos em investimentos e riscos, devemos entender que quanto maior o retorno, mais arriscada uma operação é - e vice-versa. Ou seja, no contexto de 2016, o investidor tinha um mínimo de retorno consideravelmente alto: 14,25% ao ano e em 2021, baixo com 2% a.a.

Naquela época, o investimento em renda fixa trazia uma segurança e um retorno muito mais agradáveis do que hoje. Ou seja, para buscar rendimentos maiores, o percentual deveria ser bem maior do que os 14,25% que o investidor já teria garantido no Tesouro Selic.

Esse cenário contrário, com forte queda de juros, explica então os motivos pelos quais os investidores migraram sua carteira para mercados mais arriscados, como o de ações. Foi de 2016 para cá, que a B3 teve seu número de investidores subir de 500 mil para mais de 3 milhões.

Ou seja, com a taxa livre de risco apontando retorno muito baixo, o investidor tende a arriscar mais seus investimentos.

Como calcular a taxa livre de riscos?

Embora nós tenhamos usado a Selic para explicar os conceitos da taxa livre de risco, esse valor básico de juros não representa todo o cálculo desse índice. A metodologia envolve diversos outros fatores, como o geográfico e temporal.

Por exemplo, um investimento na economia americana e outro no Brasil, ainda que os dois sistemas estejam indexados a taxas iguais, os riscos serão diferentes. Isso porque esse cálculo inclui fatores macro e microeconômicos.

Por isso, nem sempre as taxas básicas de juros (a Selic ou até mesmo CDI) são consideradas valores livres de risco em países emergentes. Ainda assim, podemos dizer que esse é um dos parâmetros que mais se aproxima do conceito.

A metodologia desse cálculo é muito usada no modelo de Capital Asset Pricing Model (CAPM) ou Modelo de Precificação de Ativos. Isso porque ele tenta medir a relação entre risco e retorno dos investimentos. Para isso, ele calcula qual o valor que é isento de perdas - ou seja, a taxa livre de risco, por assim dizer.


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