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Modelo de Gordon: como aplicar nas ações?

O Modelo de Gordon é utilizado para precificar ações, com base na projeção de crescimentos futuros dos dividendos. Investidores utilizam esse modelo a fim de descobrirem se vale a pena ou não investir em determinada ação.

Mas, é claro, você nunca deve se basear em apenas uma métrica na hora de tomar uma decisão, isso seria um erro, pois a decisão deve estar baseada em fatores qualitativos e quantitativos e, dentro desses dois grupos há, ainda, uma série de fatores a serem analisados.

Se você quer entender o que é e como calcular o Modelo de Gordon, fique com a gente no artigo, Yubber!

O que é o Modelo de Gordon?

Se você quiser estimar os dividendos futuros, o modelo de Gordon pode te ajudar. Ele tem como premissa trazer esse fluxo de dividendos estimados ao valor presente, de forma que você descubra o preço justo a pagar por determinada ação.

A projeção dos fluxos de dividendos é feita considerando que o crescimento será constante, dito isso, é importante dizer que, ao aplicar a fórmula, é preciso ter cuidado, afinal, sabemos que a realidade não é bem assim, né? Os números são estimativas, e não dados absolutos.

Mas, a ideia é que a aplicação seja feita em empresas mais maduras, com crescimento estável, pois assim a informação se torna mais realista e confiável. Entretanto, lembre-se: nenhum dado é absoluto, podendo, então, sua projeção ser diferente da realidade.

Como calcular o Modelo de Gordon?

Primeiro, vamos conhecer a fórmula.

Preço = Dividendo / (K – g)

Onde:

  • Preço: quanto você deverá pagar pela ação;
  • Dividendo: dividendo esperado por ação nos próximos 12 meses, com base em dados passados;
  • K: taxa mínima de retorno requerida pelo investidor;
  • g: taxa de crescimento dos dividendos.

Fique tranquilo, a fórmula é bastante simples. Vamos para um exemplo, assim você consegue entender e fixar melhor o conceito.

Imagine que uma determinada empresa pague R$ 0,70 de dividendo por ação, e que o acionista espera um retorno mínimo de 10%. Além disso, ele espera que a taxa de crescimento dos dividendos seja de 2%. Logo, vamos calcular o preço justo pela ação.

Preço = 0,70 / (0,10 – 0,02)

Preço = 0,70 / 0,08

Preço = R$ 8,75

Perceba que, ao inserir as porcentagens na fórmula, eu as transformei de percentual para unitária, ok?

Bom, a partir do resultado da fórmula, é possível concluir que ele está partindo do princípio que R$ 0,70 é o que a empresa vai pagar nos próximos 12 meses, de acordo com dados anteriores, e que esse valor vai continuar crescendo a uma taxa constante de 2%.

Então, se considerarmos que essa ação vai pagar um dividendo que vai crescer eternamente a uma taxa de 2%, sabendo que no ano anterior a empresa já distribuiu R$ 0,70 e que o custo de oportunidade (K) do acionista é de 10%, o valor máximo que ele deveria pagar nesta ação hoje é R$ 8,75.

É importante dizer que, o Modelo de Gordon desconsidera eventual ganho de capital pela venda da ação, pois ele parte do princípio que o investidor ficará com essa ação por longos anos.

Limitações do Modelo de Gordon

Como eu disse inicialmente, utilizar esse modelo de forma isolada e sem conhecer suas limitações, pode ser um grande erro.

Veja, não é possível prever com exatidão quanto uma empresa pagará de dividendos nos próximos anos, pois isso cabe à empresa e ao seu conselho de administração. Portanto, o que foi pago de dividendos no passado, não necessariamente significa que o mesmo valor será pago no futuro.

O seu custo de oportunidade (K) também pode mudar. É só tomarmos como exemplo o ano de 2020, alvoroçado pelo coronavírus. Essa crise fez com que investidores reajustassem suas expectativas de retorno para as empresas.

É importante dizer também que, se a taxa de crescimento dos dividendos superar a taxa mínima de retorno exigida pelo investidor, o resultado será um valor negativo. Se você aplicar a fórmula em empresas em fase de crescimento acelerado, por exemplo, é muito provável que isso aconteça.

Empresas que estejam passando dificuldades financeiras também deixam de fazer sentido. Como distribuir dividendos se ela só dá prejuízo? Sem contar que, o nível de insegurança e instabilidade seria muito grande.

Como você viu, a fórmula é, sim, interessante, inclusive muitos investidores e analistas utilizam, mas é importante estar ciente dessas limitações. Tendo essa consciência, o uso do modelo de Gordon será mais realista.

E aí, Yubber, o que você achou do Modelo de Gordon? Já conhecia ele?

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